Orlando Sérgio
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Sobre o Orlando
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Há actores que preferem actuar nos palcos, outros em novelas ou séries, ou ainda brilhar no cinema. Como profissional, Orlando Sérgio reúne essas três vertentes: o seu vasto currículo inclui actuações em teatro, televisão e no grande ecrã.

Poucos actores conseguem transitar, com desenvoltura, da comédia –  como vimos na personagem Moisés Adão, o patriarca da telenovela Conversas de Quintal, exibida em 2002, na TPA – para o drama, o Othelo na peça homónima, no Teatro Cornucópia em Lisboa.

Encenar uma peça de um dramaturgo maior como William Shakespeare, exige talento e profissionalismo, sobretudo quando se é o primeiro actor negro a ser o protagonista num país de dramaturgia branca. “Foi a primeira vez que a peça foi representada por um actor negro, em Lisboa. Anteriormente, actores brancos pintavam-se para representar Othelo”, lembra.

Se fosse somente por este facto, Orlando Sérgio já teria um lugar de destaque na história. Não parou por aí.  Já perdeu a conta às peças de teatro, filmes e novelas em que actuou. “Preciso parar para organizar isso”, reconhece.

Em 2001, ganhou o prémio de Melhor Actor do ano, atribuido pelo governo provincial de Luanda, com a encenação da personagem Diogo na remontagem para os palcos de Quem Me Dera ser Onda, novela de 1982, de Manuel Rui Monteiro, considerada um marco da literatura angolana pós-Independência.

Entre os prémios que conquistou ao longo da sua carreira, aponta enquanto maior incentivo “o reconhecimento do público”. E questionado sobre qual foi o seu principal trabalho, a resposta é directa: “o meu melhor trabalho é aquele que está por vir”, deixando os fãs curiosos sobre a actual participação na televisão acerca da qual, por enquanto, não pode dar detalhes.

Dinâmico, o jovem que decidiu largar a Faculdade de Medicina para se tornar actor, tem como grandes preocupações a formação de novos actores angolanos e a construção de teatros por toda a África.

Em 1994 fundou a Associação de Teatro Universitário de Angola (ATUA), na Universidade Agostinho Neto, cujo objectivo era inserir o teatro nas actividades extra-curriculares da Faculdade de Medicina, onde era estudante.

Do projecto surgiu o emblemático Elinga Teatro e o Festival de Teatro Universitário de Angola que ocorre, anualmente, em Luanda, com a participação de grupos nacionais e internacionais.

De Malanje para o Mundo

Natural da província de Malanje, Orlando Sérgio estudou nos liceus Paulo Dias de Novais (Ngola Kiluanje) e Salvador Correia (Mutuya Kevela em Luanda). Foi ali que,“a partir de brincadeiras”, começou a desenvolver a vontade de ser actor.

Na década de 90 mudou-se para Portugal. Foi aluno de Teatro no Conservatório, ficou fã de Stalinslavsky e de Peter Brook, participando em várias peças de grandes companhias portuguesas como a Cornucópia, com Luís Miguel Cintra (A Missão do Heiner Muller); no Teatro de Almada, com Joaquim Benite (Othelo, de Shakespeare); e em muitos filmes portugueses.

Em 2001, já de volta a Luanda, retoma a actividade teatral no Elinga Teatro. Um dos espectáculos emblemáticos foi o Woza Albert, com encenação de Miguel Hurst.

Mas foi com o personagem Moisés Adão – o patriarca que desaparece e deixa a esposa sempre à espera – da série de ficção Conversas no Quintal, que Orlando Sérgio ganhou popularidade junto do grande público angolano. Na rua, ainda lhe chamam pelo nome do personagem, todos guardam na memória este senhor de bigode e pai de família.

Em 2006, integrou o elenco de Os Negros, de Jean Genet, peça encenada por Rogério de Carvalho, no Teatro São João, no Porto, a primeira peça em Portugal com um elenco completo de actores angolanos. Em 2007 deu corpo ao monólogo A Descoberta das Américas, encenado por António Pires e traduzido por Marta Lança, integrado na Iª Trienal de Luanda.

Esteve na produção de um casting para um filme em Moçambique, O Último Voo do Flamingo, de João Ribeiro. Fez parte da produção de um casting para um filme em Moçambique, O Último Voo do Flamingo, de João Ribeiro. Participou activamente no documentário sobre os caminhos-de-ferro de Benguela No Trilho da Angola Contemporânea, e recentemente entrou como personagem secundária no filme angolano Rainha Ginga.

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